segunda-feira, 25 de abril de 2011

OLÁ, EU SOU ASSIM, TDAH A 24 ANOS, MAS DESCOBRI ANO PASSADO...

Os médicos dizem que nasci assim, bom hoje me dizem isso, mas nos últimos vinte e três anos ninguém se manifestou. Eu me chamo Laís e tenho déficit de atenção e hiperatividade. (a apresentação a la AA foi proposital!) Sofro de uma inquietação permanente, uma mente divergente e uma loucura consciente.

Resolvi criar esse blog porque quando eu precisei eu tive apoio, mas não tive um grupo de apoio, não tinha muitas pessoas com quem pudesse trocar experiências, que entendiam exatamente o que eu passava. Lendo sobre o tema, li muitos depoimentos que me ajudaram, pensei que um espaço para dúvidas e explanações seria bom...vai que ajuda alguém né?!  Trocar idéia com alguém passa por situações similares ou não é sempre algo positivo, ajuda muito. At least for me (pelo menos para mim).

Cresci acreditando ter nascido com dez anos de idade. Deixe-me explicar, nunca me senti a vontade com pessoas da minha idade, sempre me achei meio diferente, assim gostava de ler e desenvolvi uma verdadeira dependência para com a literatura. Sempre me liguei no que passava despercebido por todo mundo e perdia o que era claro par toda a nação. Hoje faço piada, mas no fundo tento mascarar uma mágoa que tenho e uma dúvida que me assombra. Nunca fiz parte, mas será que um dia farei?

Foi assim no meio de uma confusão incessante que fui virando gente. Quero dizer gente louca. Lembro-me desde sempre de ouvir que deveria me controlar, pois era muito impulsiva, que a vida não era assim, que eu não poderia ser assim. Que eu era preguiçosa, pois era inteligente, mas tinha preguiça de estudar. Que era aluna terrorista por conversar a aula inteira, por não prestar atenção. Era muito desorganizada, isso era um crime maior por ser uma menina, mas o que para os outro parece desorganização para mim é essencial. Se as coisas não estão no meu campo de visão elas se perdem num mar de esquecimento.

Se sentir sozinha e incompreendida é uma constante, mesmo sabendo que não posso exigir dos outros que eles sejam iguais a mim, queria respeito. Ser chamada de lesa, bagunceira, revoltada, esquecida, preguiçosa e impulsiva durante toda uma vida, não faz bem a ninguém. As pessoas não percebem o quanto isso é sacrificante para quem não tem tanto controle. Com o passar do tempo você acaba por desenvolver mecanismos (sejam positivos ou negativos) para seguir o fluxo, a normalidade alheia, mas até essa adaptação se torna cansativa. Particularmente tenho épocas de cansaço extremo. O tempo trás maturidade e um pouco de autoconhecimento, mas trás mais responsabilidades e isso acentua algumas características. Foi assim meio sem ter certeza, pois não acreditava de verdade, que acabei indo para uma nova psicóloga (sim, não foi a primeira, afinal eu era tão diferente dos meus irmãos...) e ela me fez esse favor, me deu a explicação que eu não tinha.

Ao saber do diagnóstico, senti um grande alívio, afinal eu não era tão ruim assim, existia uma razão para eu não conseguir ser tão 100% como os outros. Confesso que sou de fato esquecida, hiperativa e conflitante. Mas como disse antes, eu vejo coisas que passam despercebidas, vou (viajando na minha incansável mente) onde outros ditos “normais” não vão, sinto tudo mais, minha criatividade vai além...
Saber que tenho TDAH me trouxe uma nova perspectiva, afinal agora eu estou adquirindo ferramentas para lidar com minhas limitações e explorar meus pontos fortes. Aceito melhor quem eu sou, quem eu fui e quem eu posso vir a ser. Hoje, eu me encontro num período de “reabilitação”, é como se estivesse aprendendo a andar novamente, uma nova realidade surgiu, minha qualidade de vida melhorou muito e acredito que isso influencia as minhas relações interpessoais.

Sempre fui conflituosa, mas acredito ser carismática, afinal, as pessoas gostam de mim, às vezes acho que tenho uma imã, apesar de não “gostar” muito de gente, sempre me socializei, mas admito que para mim é bastante trabalhoso ficar tentando diminuir minha velocidade, escutar o que eu já sei que as pessoas vão dizer e acima de tudo ter que explicar como funciona meu raciocínio, pois eu consigo ligar uma assunto que não tem nada a ver com o tema de uma conversa apenas porque uma palavra me fez “viajar”.

Exemplo: estou conversando com uma amiga sobre roupas, ela elogia o tom de amarelo da minha blusa, eu automaticamente me questiono quando vai ser o grand prix de vôlei e se vai ser de madruga, pois é algo ótimo para assistir durant4e noites insones. Como cheguei ai? Bom...eu ouvi amarelo, lembrei da bandeira, que me levou a questionar quando será o próximo jogo da seleção de futebol, ai lembrei que houve um jogo ontem de vôlei da final do brasileiro,  me recordo que assisti o jogador do SESI Murilo dando  entrevista, por fim ele joga na seleção e pensei no grand prix. Entendeu? Sim? Não? Pois a maioria não faz essas conexões estranhas e me sinto compelida a explicar porque no meio da conversa sobre roupas eu perguntei sobre os jogos de vôlei. Explicar-se o tempo todo cansa.

Devo dizer que me considero com sorte, pois minha sorte/teimosia/timing/habilidade de enrrolação e talvez um pouco de inteligência, me carregaram ao longo da vida. Consegui ser uma aluna mediana no colégio. Consegui terminar 9 anos de inglês, 3 de espanhol e 3 de italiano, agora estou a ameaçar estudar francês. Faz alguns anos que me prometi terminar tudo que comecei, fiz tal promessa na tentativa de provar aos outros que eu conseguia terminar algo, afinal todos observavam que sempre desistia das coisas. Talvez essa birra tenha sido a minha salvação...

Fiz uma faculdade de direito que durou 5 anos e meio, achava um tédio e nunca me senti desafiada o suficiente, as vezes acho “o povo” do direito muito limitados a leis, parece que eles não conseguem pensar outside the Box (fora da caixinha). Mas com medo de não ter o que fazer, no último semestre de faculdade resolvi que minhas 7 disciplinas (4 das quais eu não precisa e estava fazendo por curiosidade, pois eram do comércio exterior), a monografia, um pai com câncer e uma fase baladeira, nada disso era o suficiente, resolvi tentar o mestrado na Universidade Federal do Ceará, quem disse que eu conseguia estudar? Cheguei ao cursinho preparatório de ressaca inúmeras vezes, muitas delas “virada” da balada, tinha passado em casa apenas tomar banho e tomar café. Até hoje acho que minhas amigas fizeram um milagre, me passaram informação suficiente para passar aquela prova.

O mestrado foi o que me fez perceber o quanto eu não estava bem, não conseguia assistir aula, notei que estava começando a atrapalhar os meus colegas que me pareciam bem mais interessados, o pior era que as vezes eu queria prestar atenção pois gostava do tema, mas não conseguia...e foi assim que fui buscar a ajuda que transformou e continua a transformar minha vida...um passo de cada vez m né?!
Achei que essa música do Legião Urbana que é bastante usada para esse tema podia inaugurar o blog...acho tão a cara do TDAH...

Composição : Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha
Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.





7 comentários:

  1. Aêêêê!!!! Agora, sim, deu certo!!! Às duas e meia da madrugada, eu, acordada, enviando o trabalho do mestrado por e-mail porque a droga da Velox deu problema mais cedo...
    Bem, mas isso não tem nada a ver com o que eu ia falar aqui... Pelo menos, aparentemente, né? Porque eu até poderia explicar como eu cheguei até aqui, mas acho que é irrelevante, né?
    O importante mesmo é que consegui postar um comentário no seu blog, menina linda que me fez chorar com seu texto!!!!!!
    Devo dizer que me identifiquei com todas as descrições feitas (ou com quase todas elas) e adorei a interpretação da música do Legião. Tudo a ver com a gente, hehehehe...
    Devo dizer também que serei frequentadora assídua deste blog (ou pelo menos tão assídua quanto o mestrado, o trabalho e as outras milhões de coisas que invento para fazer deixarem,rss!!!).
    Adorei tudo. Depois conto alguma coisa minha, algo mais pessoal, hehehehe... Agora não dá pq, apesar de não estar com muito sono (e de sempre lutar muito contra ele quando ele vem - fato raro...) tenho que dormir!!! Amanhã, o dia é bem pesado... Aliás, é bem chato!!! Vou seguir um conselho seu: ir para a cama e contar carneirinhos, kkkkkkkkk!!!!!!!!
    Um beijo enorme, alma gêmea!!! = )
    Dani

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  2. Ei!!! O horário que tá aparecendo aí está completamente errado, viu??? Só quatro horas atrasado... O blog também tem THDA??? Vive atrasado tb??? kkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!
    Bj!!!!!!!

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  3. Laís:
    Lindo, lindo, lindo...
    O texto, a música, tudo...
    É impressionante como você descreveu com perfeição o que se sente e luta diariamente.
    Vai ajudar muita gente que sofre por simples falta de informação.
    Um Bjo
    E continue com a idéia, ela é tudo de bom.

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  4. Laís,
    O anônimo sou eu...
    kkkkkkkk
    Ajudou muito né ????
    É a Mama Tigra
    Beth Alice

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  5. Bom dia, Laís!
    Bem vinda ao clube! rsrs
    Obrigado por seu comentário no meu blog e parabéns pela iniciativa. Trocar experiências é sair do gueto, da solidão que normalmente sentimos.
    Na verdade, uso meu blog como uma forma de tratamento, quanto mais leio sobre meus comportamentos mais aprendo a conviver com eles.
    Muito sucesso e não desista você escreve muito bem e sabe expressar nossa 'sensação de não pertencimento'.
    Um abraço e parabéns.
    Alexandre
    Tdah-reconstruindo a vida

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  6. oi lais, me meu nome é joys lanne, eu também tenho tdah, e gostaria q vc visitasse meu blog é www.tdahumapartedemim.com
    um abraço.

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