terça-feira, 14 de junho de 2011

A VIDA DE UM TDA(H) NÃO TE LEMBRA UMA VIDA DE VÍCIOS?


Estou querendo escrever aqui no blog sobre minhas técnicas para evitar certos erros e comportamentos muito comuns ao longo de minha vida, mas estou ainda a elaborar uma maneira organizada de explicá-las. Devo dizer que minha mente é um pouco bagunçada...but you know what i mean...

Bom hoje eu vou falar sobre uma dúvida que me assombra diariamente, para falar a verdade é algo que está sempre na minha cabeça. Como eu posso me sentir bem com o meu jeito, com quem eu sou e principalmente com as minhas características tão peculiares, quando eu passo todos os meus dias lutando para me adaptar, para amenizar essas características e modificar comportamentos que incomodam os outros?

Estava outro dia conversando com meu Yoda (a minha paciente psicóloga), estava tentando mais uma vez explicar porque eu acho que me expresso tão mal. Eu recentemente escutei de uma pessoa muito querida, também TDA que eu exijo muito das pessoas, não quis discutir, pois eu realmente faço o que for necessário para não discutir com pessoas que eu gosto (sim isso faz parte de toda uma insegurança, pois eu sei que sou muito agressiva quando estou numa briga e não tenho freios, logo prefiro sofrer a brigar e ficar me corroendo de culpa e remorso).

Voltando ao assunto de ser exigente, na realidade eu não exijo nem um décimo dos outros o que eu exijo de mim e o que eu sinto que exigem e esperam de mim. Lendo o Blog do Alexandre me lembro de mim, naturalmente, essa coisa de estarmos sempre esperando mudar, “melhorar” e ser alguém mais responsável. Bom eu me exijo tudo isso e mais, acredito que somos tão acostumados a pensar que nossas atitudes e esquecimentos são errados, que passamos a achá-los criminosos e nos martirizamos por isso.

Quantas pessoas você conhece que se corroem e se machucam, que choram e se espedaçam porque se esqueceram de confirmar uma consulta, ou um endereço ou ainda porque não viram aquele erro de português no seu artigo de 16 páginas? Bom eu sou assim, eu sinto como se não houvesse mais espaço para erros, como se eu tivesse essa dívida enorme comigo, com a minha família e com o resto do planeta, dívida essa que eu estou longe de pagar...

Eu costumo dizer que hoje me sinto mais sensível as dificuldades de um viciado, o que se deve em grande parte a maneira como eu me enxergo. Acordo todos os dias pensando que não posso errar, esquecer, ser agressiva e blá blá blá...sinto como se o TDAH fosse um vício, afinal não tem cura, estamos constantemente em recuperação e vez por outra temos uma recaída que nos destrói e nos desafia a nos reerguermos.  Você não acha parecido com um vicio qualquer?

Eu exijo dos outros educação, não espero compreensão (queria, mas não espero e não culpo quem não me entende, afinal eu sou parte de uma minoria), não espero paciência, lealdade, mas espero educação e civilidade, bom senso, enfim coisas que considero essenciais e que infelizmente são pouco valorizadas no nosso país. Poxa mas porque falar isso? Então fui chamada de exigente porque me frustrei com uma pessoa que marcou de me pegar para resolver umas coisas que essa outra pessoa TDA que me chamou de exigente, e a pessoa que me avisou que chegaria em 15 minutos, demorou uma hora. Por que eu não posso me chatear com isso? Eu não briguei, não discuti, não fiz nada, apenas fiquei chateada, pois eu jamais faria isso com alguém. Se por isso sou uma pessoa melhor ou pior não sei. Sei apenas que tenho muito que melhorar e essa devo confessar não é uma prioridade.

Quando você se critica tanto é muito complicado não sofrer com as criticas alheias, aquelas que te apontam exatamente o que você mais tem raiva em você, aquilo que você ainda não aprendeu a controlar ou aceitar. Essas me doem mais, me fazer refletir mais e me marcam mais. São positivas? Para mim não. Sinto como pequenos cortes feitos na minha frágil carcaça de autoconfiante.

Falar sobre como eu me acho inteligente, rápida e etc, não mostrar o quanto eu sofro com os meus erros, o quão difícil é controlar os meus impulsos, a dificuldade de não me desfazer em lágrimas de ódio toda vez que tenho uma “recaída” ou que quebro minhas regras. Viver assim é difícil e exige muita resiliência, ainda estou descobrindo até onde eu agüento ir, até que ponto posso me desdobrar para fazer as coisas da maneira “correta”, mas devo confessar que tem dias onde a vontade é chutar o balde, gritar com as pessoas o quão ridículo é você criticar uma pessoas que tenta tanto sem ao menos saber o que se passa com ela.

Se dizer isso me faz uma vítima, se parece que eu uso o meu TDAH como desculpa, ah meu caro, não é verdade, bem que em determinadas situações poderia, mas não me permito na maioria, então se eu o faço me deixe quieto. Permita-me ter o que você tem, espaço para frustração ou chateação. Eu não sou obrigada a ser sempre uma pessoa alegre e estar sempre fazendo piada com meus defeitos. Eu tenho o direito de me chatear quando me vejo cair em armadilhas tão conhecidas.

Sofrer é parte da recuperação, lutar e se machucar, sorrir e ter sucesso, cair e falhar, tudo isso é parte dessa nossa constante briga com nós mesmos. O importante é que depois de ficarmos com raiva, de nos culparmos, nós tenhamos a coragem e a persistência de continuar seguindo o tratamento e o caminho que é melhor para nós. No fundo às vezes é necessário apertar o Ctrl + F (eu sei que é mais fácil falar que fazer!) e ignorar o que os outros dizem, mas é fundamental fazer isso com essa culpa que nos atormenta também. Às vezes somos nós que precisamos ser calados.

Bom...esse post foi um tanto sem sentido, mas quer saber? Eu estava a fim de falar algo sem sentido. Em breve, mas muito breve mesmo vou escrever sobre as minhas táticas para melhorar minha atenção e lidar com os compromissos diários e eventuais.

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